
Uma ótima imagem, da minissérie Global, Capitu. *-*
A idéia de que a mulher exerce um papel inferior ao homem na sociedade, é algo que é discutido desde a Grécia antiga, até mesmo por filósofos como Platão e Aristoteles, algumas teorias explicavam que todas as características que uma criança possuía vinham apenas do pai, e a mãe servia apenas para ‘’armazenar’’ a criança. Podemos considerar que desde essa época remota já havia preconceitos em relação ás diferenças de gênero. Com o passar de séculos, as diferenças só foram aumentando. Um exemplo desse grande abismo que separa esses dois gêneros foi a primeira declaração dos direitos humanos, que por muito tempo excluiu totalmente as mulheres de qualquer direito e quando Olympe de Gouges publicou, em 1791 uma declaração dos direitos das mulheres, foi decapitada.
Podemos dizer que o que impulsionou os movimentos feministas por igualdade de direitos entre homens e mulheres foi principalmente a partir da revolução industrial, que com a inserção da mulher no mercado de trabalho acentuou ainda mais as diferenças, causando muitas revoltas. Infelizmente, somente a partir do século XX é que as mulheres foram conquistando mais destaques perante a sociedade.
Apesar de todas as dificuldades e conceitos já estabelecidos, que muitas vezes tentam limitar a capacidade feminina apenas para tarefas de dona-de-casa e consideram as mulheres como sendo o sexo frágil, as mulheres vem mostrando cada vez mais que possuem forças para assumir diversas responsabilidades que antes só cabiam aos homens.
O século XVIII foi considerado o século das luzes, assim denominado, pelos ideais iluministas que dominaram aquela época, a seguir, a descrição desses ideais.
1- A Revolta Contra as Autoridades
Talvez, um das características mais marcantes do iluminismo, o que caracteriza o período, seja exatamente ‘’A revolta contra as autoridades’’ os filósofos iluministas, eram, em sua maioria democrata assumidos, eram contra qualquer tipo de poder absolutista. Eles defendiam a liberdade política e acreditavam também que deviríamos nos manter céticos em relação a todos os conhecimentos que já tínhamos adquiridos, devendo nós mesmos procurar a respostas ás nossas perguntas, e nessa parte se assemelhavam muito, com Descartes.
O ideal iluminista foi o que impulsionou muitas revoluções tanto na Europa, quanto nos países americanos.
A revolução francesa foi basicamente uma conseqüência do pensamento iluminista. Tudo que dizia respeito á revolução francesa, era baseado em ideais iluministas.
No Brasil, muitas revoltas foram impulsionadas por ideais iluministas, entre elas: A Conjuração Baiana, (...)
2- O Racionalismo
O pensamento iluminista foi completamente baseado no racionalismo. Os iluministas acreditavam totalmente na razão humana, tanto que o período iluminista pode muitas vezes ser referido como ‘’racionalismo’’, pois os pensadores iluministas acreditavam que deveriam criar bases para a ética, moral e
religião totalmente baseados na razão humana.
3- O Pensamento Iluminista
Os iluministas diziam que tinha chegado o momento de “iluminar” daí, o nome iluminismo, eles acreditavam que era preciso levar o conhecimento racional as amplas camadas da população. Foi no período iluminista, que surgiu a pedagogia, para auxiliar no ensino de todos esses ideais. Também dessa época, é “A Enciclopédia” que surgiu entre 1751 e 1772, em vinte e oito volumes e tinha a participação de todos os grandes filósofos do iluminismo.
4- O otimismo Cultural
Nessa época, a educação e a necessidade de tirar as pessoas da total ignorância, era algo de sumo importância, pois se acreditava que para haver melhoras em todo o mundo era necessário, que todos saíssem da ignorância e “iluminassem’’ suas vidas com o conhecimento racional.
5- O retorno á natureza
É desse período, que surge uma idéia de que a infância possui um valor próprio, pois até então, predominava a idéia de que a infância era apenas a preparação para a vida adulta. Como um dos ideais iluministas era que a natureza era basicamente a própria razão, e a razão humana era uma dádiva da natureza, acreditava-se que a infância deveria ser preservada pelo maior tempo possível, pois era ali, no conhecimento natural e longe de todas as burocracias da civilização, que por acaso, é criticada pelos iluministas, assim como as ordens religiosas, que era adquirido o verdadeiro pensamento racional.
6- O Cristianismo Iluminista
Os iluministas criticavam ativamente a religião, não porque não acreditassem em Deus, eles criticavam as ordens religiosas, principalmente a Igreja Católica e todos seus dogmas, que impediam o povo de ter um pensamento racional.
Haviam ateus, é claro. Porem o mais comum na época, e o que os filósofos iluministas acreditavam ser racional, era que o mundo era tão racional que era impossível não haver um DEUS. Para eles, a certeza de haver um ser superior, e a alma ser imortal eram algo completamente racional, não acreditava porem, que esse Deus intervinha na vida humana, isso era chamado ‘’Deismo’’, acreditavam em Deus, mais não que houvesse sua intervenção na vida e no cotidiano humano. Ou seja, milagres estavam fora de questão.
7- Os direitos Humanos
A grande preocupação dos filósofos iluministas eram os direitos dos seres humanos, que dizem respeito à religião, a política e a moral, eles pregavam que os seres humanos deveriam ter liberdade em relação a todas essas questões. Os filósofos iluministas franceses, diferentes dos ingleses, acreditavam que todas essas idéias de liberdade deveriam ser postas em pratica, e não ficarem apenas na teoria. Surgiu então, a ‘’Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão’’ através da Assembléia Nacional Francesa em 1789 (Ano da Revolução Francesa). O principal objetivo dos iluministas era atingir o direito natural, que serviria a todos, como um direito adquirido apenas por nascerem humanos. Infelizmente, até hoje em dia, muitas pessoas ainda buscam esses direitos, e não conseguem encontrar.
A revolução francesa trouxe com ela, uma serie de direitos que deveriam valer para todos os cidadãos, o problema, era que na época apenas os homens eram considerados cidadãos. É a partir daí, que surgem os primeiros movimentos de mulheres. Um filosofo iluminista (Condorcet), publica uma obra com os mesmos direitos natural dos homens, dedicada as mulheres, porém, o que não causa surpresa alguma, esses direitos foram deixados de lado.
Em 1791, Olympe de Gouges, publica uma declaração dos direitos da mulher. Em 1793, ela é decaptada!
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
A Economia Iluminista também teve suas alterações, os economistas da época encorajavam a liberdade econômica, onde o estado não deveria intervir na economia, estes eram chamados Fisiocratas.
Havia também, o liberalismo econômico, defendido principalmente por Adam Smith, que em seu livro, A Riqueza das Nações, mostrava que o trabalho, e não a agricultura (defendida pelos fisiocratas) era o que gerava o lucro. Para Adam Smith, a economia deveria ser dividida em três setores, o Primário - (...), o Secundário (indústria) e o Terciário (o serviço e o comércio) e se assim fossem divididos os setores econômicos, a verdadeira fonte de riqueza estaria criada. Um dos países que aderiram a essa teoria foi os Estados Unidos da América, então, podemos supor, que a teoria de A. Smith estava correta.
- O despotismo Esclarecido – Monarcas que estimulados pelo pensamento iluministas aderiram as suas políticas alguns ideais iluministas, mesmo, muitas vezes sendo absolutistas.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Filósofos precursores do Iluminismo: Galileu Galilei, Nicolau Kopérnico, João Kepler (etc).
Principais Filósofos Iluministas:
Barão de Montesquieu (1689-1775) - “Contra Fatos Não há Argumentos” famosa frase do filosofo Iluminista Montesquieu, que em seu livro o Espírito das Leis, publicado em 1748, dedicado as diversas formas de governo, recomendou, o que até hoje é seguido por muitos países, a tripartição dos poderes, divididos em Executivo, Legislativo e Judiciário.
François Voltaire (1694-1778) – Um dos mais destacados filósofos iluministas, publicou as “Cartas Inglesas” livro que elogiava a liberdade política inglesa, e criticava o absolutismo e a intolerância.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) – Em sua obra mais importante, denominada “Contrato Social”, ele defendeu a liberdade e a igualdade entre os homens (isso não nos lembra a revolução francesa? Sim, Rosseau inspirou Roberspierre e outros lideres da revolução.) ele acreditava que todo homem nascia bom, e a sociedade que o corrompia.
- Tópicos baseados no livro "O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder"
“Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o Paraíso, íamos todos direto no sentido contrário.”
O trecho acima, faz parte, do livro “Um Conto de Duas Cidades” que é considerado uma das melhores obras de Charles Dickens(1812- 1870) , retrata o período da Revolução Francesa, toda a loucura, a instabilidade que pairava sob a Europa naquela época. É considerado um livro histórico-realista, baseado na obra de Thomas Carlyle “A Revolução Francesa”. Lendo essa obra grandiosa de Dickens, podemos com certeza entender que os ideais da revolução francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, acabaram por se desvanecer em meio ao caos que tomou conta de toda a França durante a revolução, dando lugar ao horror, ao medo e a morte.


